quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Quanto tempo o tempo tem?

No coador de pano, o tempo passava seu café e narrava suas histórias.
Por Jotha Santos
Quanto tempo têm 106 anos? É tempo suficiente para uma pequena semente aflorar como uma frondosa árvore de sombras acolhedoras. É tempo o bastante para a chuva molhar o deserto, uma ilha emergir no oceano, um vulcão despertar de seu sono, ou ainda, testemunhar o rabiscar do próprio rosto nos traços das incontáveis estações. É tempo para ver a vida mudar, dissipar gerações, alcançar os céus, provar das guerras, contar tragédias. Quanto tempo o tempo tem?

Há pouco mais de um século, o tempo estava lá quando o Baião nasceu. Dividiu espaço com os pais de Tieta e de Ave Maria no Morro. O tempo estava lá quando ninguém sabia ainda o que eram vitaminas, raios laser, Teoria da Relatividade, linha de produção e bomba atômica. O tempo estava lá quando os antibióticos, a televisão e os foguetes transformaram o mundo. Quando a corpulência era bela, as saias subiram até os joelhos, as ruas ficaram cheias e os homens pisaram na Lua. 

No coador de pano, o tempo passava seu café e narrava suas histórias. Todos queriam ouvir. Jovens e crianças olhavam com admiração. Na comunidade em que dividia generosidade e experiência, apreciar pequenas doses de bondade e conhecimento era programa indispensável. Ali, numa singela casa de objetos adornados em tricô e crochê, o relógio de mesa lhe contava o passar das horas. Viajar ao passado era permitido a qualquer um. Só bastava bater à porta.

Mas o mal que destrói avizinhou-se daquele lugar. A estupidez e a barbaridade silenciaram o tempo. O tempo não existe mais. O sorriso esquadrinhado pela baliza de um século deixou de resplandecer e aquelas histórias extraordinárias não serão mais contadas, pois o tempo parou. Os mais moços agora ouvem apenas o som do silêncio e as memórias da tristeza. O coador está vazio. O café não mais exala seu aroma de alegria. Quanto tempo têm 106 anos? Não o bastante para conquistar o perdão, a misericórdia e a compaixão desse mundo, pois o mundo é mau e o mal não conhece perdão. 

Trinta reais de um velho porta niqueis foi o valor dado pelo mal ao tempo de incalculável valor. Antônia Conceição da Silva, brasileira, 106 anos, era a verdadeira personificação do tempo. Um século de inestimável sabedoria, recontos, prosas e versos que legavam aos seus o verdadeiro significado da grandeza que só o tempo pode construir. Mas o tempo agora foi contar suas aventuras em um lugar diferente. Um lugar onde muitos chegaram antes dele, mesmo passando por aqui bem depois dele. Um lugar onde as ruas são de ouro e repletas do brilho de pedras preciosas e jaspe claros como os cristais. Onde não há choro e no centro de um formoso jardim, a Árvore da Vida, aquela que cura e restaura. Onde o mal não pode mais alcançar. O tempo veio e se foi. E o tempo era Dona Antônia Conceição da Silva, brasileira, 106 anos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Canções de uma vida ordinária

Eu deveria ter aprendido a tocar guitarra. É assim que se faz!
Por Jotha Santos
Faz tempo que as meninas do “Leblon” não olham mais pra mim, afinal, eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes, e vindo do interior. Foram vários os sonhos de verão numa praia, mas a onda do mar apagou. E nem foi tão lindo assim. Sempre soube que a felicidade é como uma estrela que não está lá. Um conto de fadas, uma história comum. É como chuva de prata que cai sem parar e quase me mata de tanto esperar. E é aí que eu me afogo num copo de cerveja naquela mesa de bar, pois assim caminha a humanidade; com passos de formiga e sem vontade.

Meu caso é mais um. É banal, mas preste atenção, por favor. Eu não sou cachorro, não, pra viver tão humilhado e ser tão desprezado. Por isso eu bebo e choro, e choro com razão. Choro e ninguém liga pra mim. Eu não sei o que fazer da minha vida. É a história dolorosa de um fracasso. Eu machuquei a mim mesmo hoje para ver se eu ainda sinto. O que eu me tornei? Todos os que eu conheço vão embora no final. 

O médico estava com medo que o meu figueiredo não andasse bem. Ele receitou jurubeba, alcachofra, e de quebra, carqueja também. Tentaram me mandar para a reabilitação, mas eu disse: Não, não, não! Não há nenhum médico que possa curar minha doença. Tenho uma doença permanente e vai ser preciso mais do que um médico para me receitar um remédio. Talvez o Dr. Robert. Vou continuar orando pela chuva que cura para restaurar outra vez a minha alma.

Eu tenho que instalar fornos de microondas, entregar cozinhas sob medida, carregar geladeiras e televisões em cores. Eu deveria ter aprendido a tocar guitarra. É assim que se faz. Todos os dias parecem um pouco longos, aconteça o que acontecer. Em mais três dias eu vou deixar essa cidade e desaparecer sem rastros. Em um ano, a partir de agora, talvez tudo tenha se acalmado. Se eu pudesse começar de novo, a milhões de milhas daqui, eu me salvaria. Eu acharia um caminho.

Há tantos mundos diferentes. Tantos sóis diferentes. Todo homem tem que morrer e estas montanhas cobertas de neve são um lar para mim agora. Eu sabia que seu eu tivesse a minha chance, eu poderia fazer aquelas pessoas dançarem, mas eu sabia que estava sem sorte no dia em que a música morreu. Eu já tive amores ruins o bastante. Chega de amores que não prestam. Eu preciso de algo que eu possa me orgulhar. Eu quero me libertar. Eu tenho que me libertar! 

Eu sei que você acredita em mim e isso é tudo o que eu sempre precisei. Me levanto e nada me faz cair. Eu não sou o pior que você já viu. Você entende o que eu quero dizer? Eu poderia muito bem pular! Chorando, minhas lágrimas continuam caindo a noite inteira. Esperando, me sinto tão inútil e eu sei que isso é errado. 

Sábado à noite, por volta das oito, eu sei o que vou fazer. Eu vou pegar a minha garota e levá-la ao cinema. Quem se importa com o filme que você vê quando se esta abraçado com sua garota na última fila? Do parque, você pode ouvir o som alegre de um carrossel e quase sentir o gosto do cachorro-quente e das batatas fritas que eles vendem. Eu me fortaleci e eu aprendi como me arranjar. Você pensou que eu me rasgaria em pedaços? Você pensou que eu deitaria e morreria? Eu sei que permanecerei vivo. Eu tenho minha vida toda pela frente. Eu vou sobreviver, pois este ainda não é o dia em que morrerei.


Texto livremente inspirado em canções de: Amy Winehouse, Beatles, Belchior, Bon Jovi, Buddy Holly, Dire Straits, Don McLean, Eric Clapton, Fábio Jr., Gal Costa, Glória Gaynor, João Nogueira, Johnny Cash, Luan e Vanessa, Lulu Santos, Nelson Gonçalves, Odair José, Paralamas do Sucesso, Queen, Reginaldo Rossi, Só Pra Contrariar, The Drifters, Van Halen, Waldick Soriano.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Eu entendo a Fernanda Lima

O controle está do outro lado da tela.
Por Jotha Santos
Quando a apresentadora Fernanda Lima declarou: “É muito difícil fazer esse programa. A minha profissão nunca foi criadora de formato, roteirista, e escrever esse programa é muito difícil. O processo criativo é de um sofrimento terrível pra mim...”, eu entendi o que ela quis dizer. É complicado mesmo tentar fazer coisas as quais não temos inclinação, destreza e liberdade. E não é culpa dela. Processos criativos e de conteúdo são naturalmente complexos e labirínticos, principalmente em um momento em que idealistas e ideologias condicionam a onipresença de seus discursos sorrateiros. E isto sempre existiu. Tentar fazer algo de qualidade e digno de aplausos, neste cenário, é quase sempre uma tarefa hercúlea.

Lembro-me uma vez quando trabalhei como repórter policial no interior de São Paulo. Eu sabia fazer aquilo. Era minha praia. Foi então que a editora me pediu para cobrir as férias da repórter da editoria de Política. Eu não conhecia aquele mundo, mal entendia a linguagem daquela turma e não me sentia nenhum pouco a vontade entre homens engravatados e mulheres de meias-calças. Para piorar, quando chegava à redação, o texto empacava, a narrativa era medíocre e finalizar uma única pauta diária era um tormento. Foi um desastre.

Não posso comentar aqui especificamente sobre o conteúdo do programa de Fernanda Lima. A atração chega ao seu final sem que eu a tenha visto, mas entendo o momento pelo qual a esposa do Rodrigo “Mr. Maravilha” Hilbert está passando. Quando algo que fazemos e nos dedicamos torna-se um sofrimento, é hora de repensar. No lugar dela eu faria o mesmo, ainda que concordasse (ou não) com os ideais e princípios da “família Marinho”, como ela aparentemente concorda e reproduz. Tudo isso passa a ser irrelevante no momento em que tais valores, independentemente do conteúdo, já não são mais transmitidos de forma natural, ética, pertinente e com qualidade criativa. E se o trabalho passa a ser um torturante calvário, difícil será encontrar nele algum predicado. O melhor mesmo é ponderar. Ela tem talento e vocação inquestionáveis, mas talvez seja esta a oportunidade de um novo direcionamento. Um recomeço.

Antes de voltar para o conforto das delegacias, tiroteios, assassinatos, suicídios e textos explosivos, recebi algumas críticas pelo trabalho na editoria de Política. Chegaram a ligar na redação para reclamar, pois algo estava muito “diferente”. Até o prefeito protestou! As críticas são assim e elas também determinam em quais águas podemos navegar. As de Fernanda Lima me pareciam muito perigosas; pelo tema, por suas convicções e pela forma como conduziu seu trabalho naquele cargueiro de caprichos e vaidades chamado Rede Globo. Pelo que li, a audiência caiu, a desaprovação foi brutal e a medida mais razoável foi decretar o fim da atração.

Segundo Fernanda Lima, “Amor & Sexo”, também a afastava de casa, dos filhos e do marido, deixando tudo ainda mais complicado, afinal, quem é que consegue ficar muito tempo longe do homem mais espetacular, esplêndido e sensacional que a natureza uma vez criou?

Uma pausa para reflexão talvez seja uma boa ideia para ela neste momento. Vai curtir a natureza, os pequenos e o super marido. Comer carne de crocodilo caçado, limpo e preparado por ele. Dormir em engenhosas cabanas improvisadas na selva com água encanada e eletricidade igualmente fornecidas por ele. Vai ali contar uma piada, assistir filmes, jogar vídeo-game, andar de bicicleta e nadar pelada no rio. Comer brigadeiro, milho assado e cachorro-quente. Vai ali ler um bom livro, escrever anedotas, contos de amor e ouvir uma boa música. Faz bem para a alma e o coração. Volte renovada e faça algo que traga contentamento, não necessariamente para os outros. Faça tudo de forma genuína, mas sem forçar a barra, pois ela pode se dobrar e, por fim, se quebrar. Só não vai ali ouvir o Rodrigo Hilbert cantando no comercial da Tim, pois isso pode não ser assim tão salutar, afinal, até ele tem limites.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Heróis negros não são permitidos!

Seria o primeiro Natal juntos entre pai e filho.
Por Jotha Santos
Heróis negros são sempre muito legais. E não há nenhuma relação com “representatividade” ou discurso de inclusão de “minorias”. Isso é bobagem. Eles surgiram muito antes disso. Pantera Negra, Tempestade, Raio Negro, Cyborg, Luke Cage, entre tantos outros. Uau! Eles são incríveis, honrados, venerados e respeitados por todos. Mas com Jemel Roberson não foi assim. A ele não foi dado o respeito e admiração por sua coragem. Suas honrarias serão concedidas apenas por seus familiares e amigos em seu funeral. Na vida real, heróis negros não são permitidos. 

Segurança em um bar de Chicago, Jemel Roberson foi morto por um policial enquanto imobilizava um atirador. Ele havia rendido um homem que abriu fogo dentro do estabelecimento na madrugada de domingo (11). Roberson conseguiu desarmar e segurar o criminoso no chão com uma arma apontada para suas costas enquanto aguardava a chegada das autoridades. A situação estava sob controle. Quando a polícia chegou, ao vê-lo armado, abriu fogo. Jemel Roberson foi declarado morto logo após dar entrada no hospital. 

Sem perguntas, sem analisar a situação e agindo por “instinto”, o policial que atirou em Roberson apenas relatou “ter abatido um elemento com uma arma”. “Todos que estavam lá gritaram que ele era um segurança, mas é isso: Viram um homem negro com uma arma e começaram a atirar”, relatou uma testemunha. O segurança tinha porte legal de arma de fogo. Outras quatro pessoas ficaram feridas sem gravidade, inclusive o atirador. Ao evitar um final de madrugada trágico para desconhecidos, o rapaz de apenas 26 anos encontrou o seu próprio fim. A família argumenta e acredita que Jemel foi morto apenas pelo fato de ser negro. Eu também acredito. Policiais despreparados e preconceituosos estão em todos os lugares. Gostaria muito que por um acaso do destino, Jemel Roberson fosse François Armand Beaumont, branco, rico e bem sucedido, que após um bravo ato de heroísmo, veio a salvar a vida de muitas pessoas em um café na Champs-Élysées. Seria ele aclamado por todos, reverenciado e laureado com todas as pompas, mas a maior recompensa de todas seria estar vivo! 

Quero repetir aqui mais uma vez o seu nome: Jemel Roberson, 26 anos, negro. Sei que ele não será lembrado por muitos. Os comentaristas da grande mídia, personalidades e influenciadores da banalidade, isolados em seus casulos de hipocrisia, pouco se importam. Heróis são apenas aqueles que lhes rendem benesses lucrativas, vantagens ilícitas, promessas egoístas, associações espúrias e relações viciadas. São vencedores de reality shows, youtubers desprezíveis, políticos gatunos, peladões e peladonas, “lacradores” ou qualquer outro palerma que esteja dentro dos critérios peçonhentos de interesse e relevância baseados em preconceitos. 

Heróis, para eles, não podem ser pessoas comuns, gente de bem. Roberson era um promissor tecladista das igrejas da região em que morava. Trabalhava à noite e fazia suas economias para comprar um novo apartamento após o nascimento de seu filho. Sua esposa, Avontea Boose desabafou: “Seria o primeiro Natal do meu filho com o pai, mas agora ele vai perder tudo”. Roberson tinha o desejo de se tornar um policial. Foi morto justamente por alguém que materializava o seu sonho. 

Da ficção para a realidade o abismo é gigantesco. Panteras Negras e Raios Negros estarão lá para salvar o dia e serão aplaudidos, mas apenas na magia do Cinema. Aqui do outro lado, onde muitos heróis de todas as cores travam suas batalhas, as honrarias não existem. O ato de coragem em uma madrugada fria será apenas uma nota de rodapé, um comentário ácido e uma análise saturada de hostilidades e prejulgamentos. Poucos darão a verdadeira importância dos acontecimentos de domingo em Chicago. Assim são os heróis da vida real. Os heróis das coisas que realmente importam, do amor ao próximo, da doação e entrega mesmo diante do perigo iminente e do desejo de “fazer o bem sem olhar a quem”. Dos pequenos atos aos mais grandiosos feitos, em cada esquina nasce um novo herói, um novo Luke Cage, um novo Lanterna Verde ou uma nova Tempestade, mas hoje, para mim, só um nome realmente deve ser memorável. Este nome é Jemel Roberson.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

O oráculo da casa tomou todo o espaço

Grupo Abril: Nove das 11 revistas fechadas
Por Jotha Santos
O mercado editorial brasileiro em 2018 passa por uma enorme crise. Desde livrarias tradicionais como Saraiva e Cultura, até grandes empresas estrangeiras que cancelaram suas operações no Brasil, como a Fnac, todos sentem o golpe. Em agosto, o Grupo Abril, um dos maiores e mais populares conglomerados de mídia do país anunciou o fechamento de 11 revistas – isso mesmo – onze. Centenas de profissionais foram demitidos e o público cativo de alguns magazines ficaram órfãos de suas habituais fontes de informações segmentadas. Eu mesmo gostava muito da “Mundo Estranho”.

Não farei aqui nenhuma análise de situações que contribuíram para tamanha crise no setor (e eu nem me atreveria). É claro e evidente que as mídias digitais tomaram (e estão tomando) os espaços dos formatos tradicionais e daqueles que não se adaptam, mas não é só isso. No caso da Abril, por exemplo, temos uma crise também moral e ética. O compromisso com a verdade é secundário. 

A decadência de princípios e dignidade tem saltado aos olhos, principalmente quando falamos da revista Veja, antes uma referência do jornalismo brasileiro. O principal produto Abril resiste, pois ainda é “rentável”, mas terá que passar por uma reestruturação radical. Ideologias, conceitos, recursos, visão jornalística, enfim, todas as doutrinas que permeiam o bom jornalismo precisam de uma nova direção. Infelizmente, muitos periódicos de qualidade do grupo "pagaram o pato", afinal, não carreavam tanta ideologia de favorecimento próprio. A diversidade na Abril tornou-se menos importante. O oráculo da casa tomou todo o espaço.

Mas a população acordou. Não estamos mais presos à grande mídia. Apesar de suas restrições e do grande monopólio de algumas gigantes da era digital, a Internet trouxe novas vozes, novos observadores da realidade e temos acesso. Hoje, somos todos os “olhos do mundo” e eles estão bem abertos. Não há mais espaço para engodos, trapaças, armadilhas e “edições Mandrake” com o objetivo de apresentar a realidade que eles querem moldar; a realidade que combina melhor com um veículo ardiloso, seus anunciantes, acionistas e seus enormes bolsos. Quem se pautar por esta decrépita formula certamente não vai sobreviver.

O novo presidente já avisou!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Uma campanha histórica. Nossa, e de graça!

Manifestação com gente civilizada é bobagem
Por Jotha Santos
O que vimos ontem por todo o país foi, provavelmente, a maior manifestação popular da história do Brasil. E não só uma manifestação, mas uma imensa e excepcional campanha para um presidenciável. E tudo de graça! Alguns, vejam só, até “lucraram”. Quando é que presenciamos a venda de camisetas, bonés, broches, bandeiras e uma infinidade de outros objetos com o rosto de um político estampado? O que antes era distribuído (e ninguém queria), agora vale ouro. Vale um ideal.

Apesar do desejo de alguns, não houve baderna e nem discórdia. Nada de pessoas nuas fazendo suas necessidades e muito menos enfiando crucifixos em lugares “secretos”. Nenhum quebra-quebra, nenhum saque, nenhuma suástica labiríntica, nenhum gás lacrimogêneo ou balas de borracha. Milhões de pessoas caminharam pelas ruas simplesmente para provar que o Brasil pede mudança. A “grande” imprensa quase não deu importância. Sem anarquia e contra os seus caprichos políticos, não vale. Não é notícia. Manifestação com gente civilizada é bobagem!

A história dos acontecimentos do dia 21 de outubro de 2018 será contada por nós, o povo. A “ilustre” imprensa nacional (e até a internacional), salvo pequenas exceções, não irá colaborar com os verdadeiros registros, com os fatos. É papel dela, mas não dessa vez. Quem sabe, uma coisa ou outra sobre um certo vídeo pinçado em tom editorial oportunista, mas nada além disso. Por sorte, a tecnologia das duas últimas décadas nos deu uma voz, antes distorcida pelos interesses daqueles que controlavam os meios.

A narrativa dos eventos de domingo fica por nossa conta. O registro é nosso. As fotos, os vídeos, os depoimentos, os tuítes e os zaps são nossos, ainda que alguns queiram censurar. Ainda que alguns digam que isso não é democrático. Não vão conseguir. Somos mais, pois nós somos a própria história, a verdade e o desejo de transformação.


sábado, 20 de outubro de 2018

Folha de S.Paulo: Sobreviver a qualquer custo

A verdade é um mero detalhe
Por Jotha Santos
A Folha de S.Paulo já vem sofrendo há alguns anos com a queda em sua tiragem e isso não é novidade. Outros grandes periódicos passam pela mesma situação. Muitos estão se reinventado na era da comunicação digital, onde o jornalismo independente e de boa qualidade ganha espaço.

O problema é que em seus esforços de sobrevivência, a Folha agarra-se desesperadamente ao factoide e aponta sua metralhadora de suposições e mentiras para o candidato Jair Bolsonaro e seus apoiadores. A aflição do diário é patente. O líder nas pesquisas para a sucessão presidencial já declarou inúmeras vezes que os recursos públicos para órgãos de impressa (entre outros) serão devidamente reavaliados. A fonte para aqueles que praticam o mau jornalismo, parcial e de interesses ilícitos deve secar.

Temos observado o fim agonizante do Grupo Abril. Já há algum tempo abandonou sua ideologia de “órgão soberano” e adotou uma postura subserviente aos interesses do Governo para ganhar sobrevida. A Folha caminha no mesmo sentido. Praticando este tipo de jornalismo sujo e desonesto, estará em breve à beira do precipício, de mãos dadas com a Abril e outros “grandes”.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Índia e WhatsApp: O problema é outro!


Preocupado, WhatsApp alerta população indiana pelos jornais
Por Jotha Santos
Quando Pablo Ortellado, colunista da Folha de S.Paulo e professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP, exigiu que o WhatsApp implementasse medidas para “evitar a disseminação de fake news” no segundo turno das eleições no Brasil, ele traçou um paralelo com uma situação semelhante de propagação de notícias falsas pelo aplicativo na Índia. Não me pareceu uma analogia justa.
Vamos aos fatos:

1) A comparação com o que a aconteceu na Índia é, no mínimo, inadequada. Lá, ao menos 20 pessoas foram mortas em função de notícias falsas sobre supostos sequestradores de crianças, ladrões e predadores sexuais. Os rumores levaram à brutais ataques de inocentes pelas ruas daquele país.

2) Possíveis crimes dessa natureza, envolvendo crianças, prontamente despertam o instinto de proteção de qualquer pessoa de bem e, antes da verificação da verdade ou não do que foi relatado, a primeira reação é “atacar” para defender os seus, nem sempre de forma civilizada e racional.

3) A Polícia indiana relatou dificuldades em convencer as pessoas de que as notícias eram falsas. A situação saiu de controle. O pânico foi maior também porque TVs locais contribuíram com informações igualmente ilegítimas. Aqui, uma semelhança com o Brasil. Os ataques foram relatados em pelo menos 11 estados e deixaram, além dos mortos, dezenas de feridos.

4) Após inúmeros relatos de violência e linchamentos pelo país, o governo (veja bem, O Governo) alertou a empresa Whatsapp de que ela não deveria "se esquivar" ou omitir-se em relação aos acontecimentos. Era imperativa uma conduta que pudesse colaborar com a solução do problema. 

5) A Índia é o maior mercado do Whatsapp, com mais de 200 milhões de usuários. Praticamente o mesmo número de habitantes do Brasil. A empresa mostrou preocupação urgente e tomou as medidas citadas, como o limite de reenvios (cinco), critério que será estendido para o mundo, mas em maior quantidade (vinte). Investiu ainda em publicidade de página inteira nos principais jornais do país para alertar o público sobre a disseminação de “fake news”. 

6) Aqui no Brasil, temos um embate eleitoral. Uma mudança política. Não há notícias de que 5 mil sequestradores e assassinos atravessaram as fronteiras e estão nas ruas atrás dos nossos filhos (a divulgada pelas TVs locais). O frenesi aqui está relacionado à "paixão política" e defesa de valores, ideologias e conceitos, verdadeiros ou não. 

7) Aqui, tivemos brigas de bar, jovens praticando automutilação, pichadores do "elenão", suásticas mal-ajambradas e memes. A violência é triste e desprezível, mas não há comparação com o que aconteceu na Índia. O problema tupiniquim é outro. É o desespero da esquerda diante de sua iminente derrota. 

8) Não vejo o Whatsapp compactuando com o cerceamento de informações e comunicações interpessoais (a essência do aplicativo), simplesmente porque um partido ou grupos de esquerda, repletos de interesses duvidosos, usuários habituais e maiores disseminadores históricos das chamadas "fake news", desejam que isso aconteça. Não vai rolar! 

9) Faltam provas, evidências. Neste caso, há apenas uma matéria vaga e obscura, repleta de suposições da Folha de S.Paulo e a opinião de um colunista do mesmo jornal. Isso não basta para que uma empresa internacional, e que custou 16 bilhões de dólares aos bolsos do criador do Facebook, adote qualquer tipo de censura ou “medida de proteção”. Proteger a quem? O PT? Até onde sabemos, os tentáculos de Lula e seu partido ainda não chegaram ao Vale do Silício. Alerta de página inteira para a população brasileira? Talvez na própria Folha, pago por ela mesma. 

10) Solicitar restrições no aplicativo apenas porque o Partido dos Trabalhadores se sentiu "atacado em sua honra" (se é que ela existe) em mensagens enviadas por titias, vovós e cunhados malas não é algo que possa ser levado à sério. Isso não deixará os executivos do Whatspp "horrorizados". Na Índia, o assunto é muito diferente e muito mais grave. Lá, o país não está em campanha eleitoral, mas em campanha pela vida e pela eliminação de informações que a ela ameacem. 

11) Obs. Não há porque entrar no mérito da questão sobre "empresas bancando campanha contra o PT no Whatsapp" em favor do candidato Jair Bolsonaro, uma vez que não existem provas quanto a isso. O que existe, sim, são milhões de pessoas divulgando mensagens, noticias, opiniões, críticas e ideias, assim como uma verdadeira democracia deve ser. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Da Coluna ao Pasmatório, mas sem adornos!

"Vai ali falar de uma anedota da semana, de um contrabando, de uma calúnia..."

Por Jotha Santos
O Coluna Livre mudou. Na verdade, morreu mesmo. Já que neste humilde e infrutífero espaço eu sou DEUS, de uma hora para outra me deu vontade de acabar com ele assim como o Pai detonou Sodoma e Gomorra. Aos meus milhares de quatro leitores, peço que não se preocupem. A mudança está apenas no nome. O conteúdo parco, superficial, modesto e diminuto deste portentoso blog permanece inalterado. Aqui, a desimportância e o insignificante serão sempre os alicerces das digressões volúveis e desnecessárias.

Eu poderia dizer que fiz essa mudança com base em profundas análises semânticas do nosso glorioso vernáculo, bem como sua aplicação em estratagemas neurolinguísticas e ampla sagacidade intelectual com o apoio de várias xícaras de café barato, mas não. Não foi nada disso, com exceção do café, que é barato mesmo, portanto sem qualquer influência no propósito de potencializar o meu discurso. “O Pasmatório” é simplesmente um título que vem de encontro àquilo que o falecido Coluna Livre sempre foi: dispensável, sem propósito, impopular, ermo e devoluto.  Um lugar lapidado para abrigar a mais perfeita inópia mental.

Talvez, ainda explorando os pormenores da TSR (Teoria do Sucesso Reverso), “O Pasmatório” poderá trazer um novo fôlego a este esfalfado sítio eletrônico, já que um novo nome, muitas vezes, representa também uma nova atitude diante das circunstâncias. Algo como aquilo que pessoas ocupadas fazem quando chega o final de semana. Elas sorriem. Quem sabe eu me anime a produzir mais conteúdos improdutivos diante de uma nova efígie literária, ainda que o conceito permaneça imaculado.

Do fracasso, não espero outra coisa senão que ele continue me acompanhando nessa pasmaceira toda, afinal, sem ele, todas as coisas seriam diferentes e nada do que foi feito se fez. Assim, saúdo as “figuras expressivas, sentenças latinas, ditos históricos, versos célebres, brocardos jurídicos, máximas, discursos de sobremesa e graças vetustas. As frases feitas, as locuções convencionais, as fórmulas consagradas pelos anos”. Vamos continuar divagando sobre cultura inútil, assuntos aleatórios, ocasionais, esparsos e sem importância. “Do corte de um colete, das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das botas novas”. Da mosca de banheiro ou a dinâmica de uma garrafa de Coca-Cola numa tribo de bosquímanos da Namíbia, discorramos sobre a vida, mas sem adornar muito o estilo, pois não quero obrigá-los a um esforço desnecessário, apesar da denominação deste lugarejo binário.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Nunca será!

Nunca... jamais!
Por Jotha Santos
Capitão Nascimento já dizia: “Nunca serão... jamais serão”. Assim é o Neymar. Chegaram a dizer que “o plano de carreira para ele era ocupar a cadeira de ídolo nacional deixada por Ayrton Senna”. Nunca será! Hoje, o “menino Ney” é motivo de chacota em todo o mundo. E a culpa é só dele. Talvez o fato de ser o eterno “menino” nos faça entender tudo. Meninos choram por qualquer coisa, reclamam por qualquer coisa, fazem birra, ficam “de mal” e se aborrecem quando questionados. Eles não sabem lidar com as “coisas de adultos”. E isso é natural, afinal, são apenas meninos.

Meninos se dão bem no mundo dos meninos. Neymar brilhou nas Olimpíadas. Ajudou a seleção a trazer uma medalha inédita para o país. Foi legal! Mas jogou contra outros meninos. Provou que não pertencia mais àquele mundo. Estava na hora de ter a sua segunda chance entre os adultos, e teve. Infelizmente, foi ainda mais imaturo. Não deixou as coisas de menino. Chorou, brigou, esperneou, xingou...

Ídolos se sacrificam. Até brigam e choram, é verdade, mas jamais se esquecem da verdadeira missão. Destemperado, infantil, simulador, imprudente e irresponsável. Este é Neymar. E os ídolos não são assim. Fico imaginando aqui aquela corrida em Interlagos, em 1991, quando Senna chegou às ultimas voltas apenas com a sexta marcha e venceu. Ele sabia o quanto teria que lutar, se sacrificar. Teria que lutar contra o os outros pilotos, contra o próprio carro e contra si mesmo. Ir além da sua capacidade física e mental. Perseverante até o fim, recebeu sua recompensa e nos brindou com mais uma bela página de sua magnífica carreira que tanto nos orgulha até hoje. Ele fazia por ele, sim, mas também por todos nós. Este é o legado de um verdadeiro ídolo.

Neymar faz propaganda de cerveja, de barbeador, de carro, de cueca, relógios horrorosos e fast food. De café, enxaguante bucal, bateria, telefonia e televisor. De avião, Tele-Sena e vitaminas do amigo Sidney. De shampoo, guaraná, meias e óculos de grife. Neymar gosta de farra, de festa, folgança e patuscada. De exibir namorada bonita, carros de luxo, mansões e iates.  De Instagram, Facebook e Twitter. De vez em quando gosta de jogar bola. E como joga! Um dos melhores da atualidade. E é apenas isso que queríamos. Que Neymar jogasse seu futebol com a “amarelinha”. Por que não o faz?

Neymar é um homem. É adulto. É pai. Possui uma conta bancária de adulto, vende uma imagem de adulto, faz coisas de adulto, mas se comporta como menino. Seu staff ou “os parças” não ajudam. O preferem assim. Mimado, mal criado, esbanjador, pimpão e farofento. Assim é mais fácil aproveitar os benefícios de ser “amigo” do Ney. No meio do caminho, o próprio se esquece das esperanças que depositamos nele. Essa é a nossa parcela de culpa em tudo isso. Neymar não dá a mínima pra gente. Ele gosta mesmo é de ganhar dinheiro, de pintar cabelo e tomar sol em lugares paradisíacos. De caviar, champanhe e camarão. Nós não pertencemos ao mundo dele.

O “sábio” técnico Wanderley Luxemburgo disse bem: “Não é difícil ser Neymar. Ser Neymar é fácil. Difícil é ser Pedro, João e Maria”. Difícil é ser eu e você. Vamos nos importar com quem se importa com a gente. Vamos deixar o “menino” pra lá. Nós não comemos caviar nem bebemos champanhe. Muitas vezes, nem comemos. Não fazemos propagandas milionárias e não temos namoradas maravilhosas. Não temos salários astronômicos ou bonificações infinitas.  Não temos staff, empresários ou “parças”.  Difícil é ser brasileiro. Difícil é ser ídolo de uma nação. Ser Neymar é moleza. Ser lembrado pelo “cai-cai” e pelas simulações, virando motivo de piada e achincalhamento em todo o mundo? Bobagem! Podem rir! Eu sou O Neymar e não preciso de ninguém.  A vida de luxo e abastança está garantida e ela me basta. Como diria o proeminente político Justo Veríssimo, “o povo que se exploda”!

Quem quer ser ídolo? Dá muito trabalho. Coisa chata! Tem que dar entrevistas nas derrotas. Tem que explicar os erros. Tem que sorrir para as câmeras mesmo quando as coisas não vão bem. Tem que pilotar um carro quebrado até a linha de chegada. Tem que sofrer, suar, machucar, tolerar, resistir, suportar e aceitar. Tem que levar esperança e elevar o nome de uma nação. E este não é papel de Neymar. Isso já ficou claro.

Vamos esquecer o menino e esperar pelo homem. Neymar terá mais uma chance em 2022, se assim a merecer. Não estou confiante. Pelo futebol, merece. Mas como é costumeiro falar nos dias de hoje, “não é só futebol”. E nunca é mesmo. Nas manhãs de domingo, não era apenas uma corrida. Era muito mais. Era fazer algo mais. Era dar um pouco mais de si. Era se colocar no lugar do outro. No caso, no lugar de um país inteiro. Era alcançar por nós aquilo que nós mesmos não poderíamos. Era fazer valer a fé uma vez depositada. Era deixar de lado as coisas de menino. Por essas e outras, Ayrton Senna será sempre lembrado como herói, ídolo, brasileiro. Já Neymar, bem... sua história ainda não terminou, mas não sei porque a frase do Capitão Nascimento não me sai da cabeça. 




terça-feira, 26 de junho de 2018

Opinião: Rota de Fuga 2

Olha esse pôster! Sacanagem!
Por Jotha Santos
Sempre achei que atores como Nicolas Cage e Bruce Willis estivessem devendo favores a alguém, haja vista o grande número de filmes medíocres em que atuam de igual modo, muitas vezes em aparições relâmpago e até desnecessárias. Mas com os dois, nós já nos acostumamos. Agora Stallone também entrou nessa? Após o sucesso de "Rota de Fuga" (2013), não era exatamente isso que esperávamos de uma sequência com o "rei dos filmes de ação" do século XX. Chega a ser triste, principalmente para os fãs, sempre ansiosos por seus sopapos e frases de efeito que ecoam por gerações - vide "Cobra".

A "volta" de Ray Breslin, o mega especialista em fugas é lamentável. O filme, na verdade, não passa de um "apanhado" de péssimos atores (orientais e ocidentais) pegando carona numa franquia promissora, mas que tropeça já em sua segunda parte. Em "Rota de Fuga 2", Stallone serve apenas como alavanca e chamariz para que os cinéfilos não hesitem em comprar um ingresso, pois sem ele, acho que jamais o fariam. Chega até a parecer uma estratégia maldosa e proposital de marketing obscuro.

Mas aí, nós temos Dave Bautista, não temos? Não. Não temos. Não espere muita coisa do grandalhão carismático (e vendável) que arrasta uma multidão de fãs com seu formidável Drax em "Guardiões da Galáxia". Parece que está lá também apenas para "dar uma força". Aparece por alguns míseros minutos espalhados pela projeção (que já é rápida), dá alguns tiros, solta uma meia dúzia de frases e só. É isso. Acho até que ele estava de bobeira no set de filmagem de algum outro filme e Stallone o chamou (pela amizade) pra preencher um buraco e, claro, para ajudá-lo a vender esse enorme fiasco, tanto quanto possível.

E o que mais me deixou chateado é que me senti enganado. Do pôster ao trailer, temos "Sly" e Bautista. Que legal! Aí, quando você assiste aos primeiros minutos, ansioso por ver os dois juntos em ação, temos apenas mais um péssimo ator oriental (não sei dizer, mas deve ser mais um que a milionária indústria asiática/chinesa quer nos enfiar goela abaixo) no papel principal, como aprendiz do mestre Breslin, o ninja das fugas. É o Daniel San reverso, colocando em prática os ensinamentos de seu sensei da América enquanto se vê enclausurado em mais uma daquelas prisões "hi-tech" ultra seguras de onde ninguém jamais escapou ou escapará, só que não. A voz do especialista ecoa como um mantra na cabeça do aprendiz durante quase todo a projeção e é assim, com a sua indefectível voz, que Stallone mais "aparece" no filme, ou seja, uma decepção.

Quanto aos demais atores, nem vale comentar nada. Avaliem vocês mesmo. Parecem até que saíram recentemente da escola "Carrossel" de artes cênicas. Sobre 50 Cent, bem, vemos só um pouco mais (bem pouco mesmo, ainda bem) do mesmo. As atuações são pobres. A produção é pobre. Os efeitos especiais, idem. "Rota de Fuga 2" não tem absolutamente nada de bom. Li em algum lugar que Sylvester Stallone já trabalha em mais uma sequência. Espero que ele esteja envolvido de verdade nesse projeto, como protagonista-roteirista-produtor-diretor-marketeiro-maquiador e tudo o mais que envolve a realização de um filme, pois só assim poderá salvar esta franquia do fracasso total após este último e malfadado trabalho.

Foto: https://www.themoviedb.org/movie/440471-escape-plan-2/images/posters

sábado, 10 de fevereiro de 2018

São apenas palavras... apenas palavras!

"Minha vida é um litro abertis..."
Por Jotha Santos
Têm coisas na vida que me deixam irritado, como escrever algo e ser mal interpretado. Assim, meus caros leitores (que na verdade quase não existem, mas eu finjo que tenho centenas de milhares deles), vocês podem até perguntar:

- Mas do que esse cara está falando se ninguém lê o que ele escreve?

Acreditem.  Algumas pessoas leram as bobagens que escrevo e me censuraram com interpretações estapafúrdias, esdrúxulas, tresloucadas e estrambóticas de um de meus humildes textos. Por um lado eu fiquei feliz, claro. Afinal, alguém leu. O problema é que não souberam interpretar e deram uma dimensão apocalíptica para as minhas palavras, condizente com os relatos do apóstolo João em seu livro das revelações e as batalhas do Armagedom. Só que eu não me senti como o anjo Gabriel mandando espadada em demônio de sete cabeças, mas como o próprio Judas, pego de calças curtas com um punhado de moedinhas de prata nas mãos.

Eu não sei como eram os “porões da Ditadura”, mas me senti em um deles por alguns minutos. É. Isso mesmo. Só por uns míseros minutos. Até por isso não vou entrar em muitos detalhes freudianos sobre o “aconticido”, como diria o bom mineiro. Não posso perder preciosas linhas de sabedoria de boteco com esse tipo de situação, uma vez que grande parte do que escrevo (a maioria, por sinal), é pura bobagem. Gosto de usar esse espaço para refletir sobre as banalidades da vida. Coisas simples como a mosca de banheiro, as garrafas de Coca-Cola, os sentidos do Natal e os esbarrões da vida. Tudo bem que, entre uma coisinha ou outra, até tem alguma tralhada interessante ou importante, mas nenhuma das minhas ponderações servem de metralhadora giratória contra o caráter, a honra e a dignidade de ninguém. Pelo contrário. O único esculachado aqui sou eu mesmo. São apenas palavras... apenas palavras!

Embora alguém possa afirmar que sim, não tenho a intenção de usar  mensagens subliminares, indiretas, artimanhas jornalísticas, Teorias da Comunicação (e da conspiração), pretextos, estratagemas ou evasivas para justificar algo. Apesar de ser a personificação do fracasso, isso não significa que tento explicá-lo através de meus textos, até porque, seu eu tentasse, provavelmente fracassaria também. Não coloco a culpa em ninguém, não cobro e não envio recados como o Kim Jong-un quando lança seus mísseis ao espaço. A palavra tem poder, mas não a minha. Com quase onze anos de existência, o Coluna Livre possui três seguidores, uma meia dúzia de comentários e arrecadou a exorbitante e hiperbólica quantia de 0,24 centavos de dólar em anúncios. Dinheiro esse que pretendo sacar e finalmente usufruir dos benefícios de ser um escritor falido. Quem sabe um Trident de menta? Ou um Dadinho (não o “Zé Pequeno”, mas aquele de comer mesmo). Não que o “Zé Pequeno” não seja, para alguns.

Não devemos confundir cocô de tartaruga com dedo na verruga. Idiossincrasia com índio sem casinha. Míssil da Coréia com Sífilis e Gonorréia. Cama de defunto com lanche de presunto. Marcelinho Carioca com Judas Iscariotes.  O enredo da vida já é repleto de complicações, enganos, contrariedades, confusões e aborrecimentos. Se a gente não galhofar um pouco dela, que graça tem?

Rir é uma tarefa difícil nos dias de hoje. Rir das próprias desgraças, ainda que com uma pontinha de acidez, uma arte. Não sei se é o melhor remédio (pergunte ao vovô impotente se ele prefere um comprimidinho azul na “hora H” ou receber “uma dose” de cócegas o dia inteiro), mas pode ser um artifício sedativo quando as coisas não vão muito bem. Este modesto e despretensioso blog é só um lugar onde consigo expressar minhas ideias, experiências, frustrações e opiniões. São os tentames da minha vida. As contemplações daquilo que me cerca. As observações de um desajustado. As reflexões de um tolo.

Como diria o sábio poeta Mussum, grande Mumu da Mangueira, “...todo mundo vê o porris que eu tomis, mas ninguém vê os tombis que eu levis...”. Assim, transformo em palavras o que penso. O que vivo. Inclusive os “tombis”, que são quase sempre colossais e homéricos. Vamos então rir deles, sem julgamentos, sem cobranças ou obrigações. Sem censura! Deixem um fracassado ser feliz, ainda que só por algumas linhas (olha a Teoria do Sucesso Reverso aí). Agora chegou a hora de me pirulitar daqui, cacildis!!!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Um mané e os esbarrões do amor

Asim deve ser a troca de olhares. Do contrário, desista.
Por Jotha Santos
Outro dia me perguntaram se existe a “tal coisa” de “amor à primeira vista”. Eu não sou nenhum expert nos assuntos pirotécnicos das chamas da paixão, temas amorosos, contos de fada, flamas arrebatadoras e afins. Na verdade, como em todas as outras coisas na vida, eu também sou um completo fracasso no que diz respeito à temática da benquerança. Porém, em respeito aos milhares de quatro seguidores do grandioso “Coluna Livre”, vou refletir por algumas linhas sobre o assunto. Pode servir como um manual teórico daquilo que não se deve fazer em matéria de amor. Ou pode não servir para nada mesmo, o que é mais provável.

Eu mesmo já tive um “lance” assim em um ponto remoto da minha vida. Lembro-me que esbarrei em uma garota uma vez – de leve – e uma súbita paixão irrompeu em meu flácido e aterosclerótico coração. Foi um sentimento estranho, mas muito bom. Acho que pela adrenalina, serotonina e outras “aminas” que causam curto-circuito no nosso corpo nessas horas.  Fiquei pensando nela por dias e dias. A barriga congelou. Naquele momento, ela era a coisa mais linda e perfeita que já havia visto na terra (provavelmente era, acredite). Melhor até que as pirâmides do Egito, whiskey bourbon e os hotéis de Dubai. O problema é que, obviamente, aquele sentimento não foi recíproco. Na verdade, deve ter sido bem o contrário. Ela deve ter imaginado:

- Cara mané! Não olha por onde anda!

Assim, creio que o “amor à primeira vista” até exista, mas para realmente acontecer, tudo o que rege a nossa existência aqui neste portentoso planeta precisa conspirar para que dê certo (um dia refletirei sobre o conceito de “dar certo”, já que entendo tudo sobre o conceito oposto). Júpiter precisa estar na inclinação certa, assim como Vênus e também Plutão, que nem é mais planeta, mas dizem que influencia nas temáticas afetivas aqui na Terra, apesar do seu rebaixamento. E mesmo que essas coisas aconteçam perfeitamente, você também precisa estar em sintonia com toda a cadeia de eventos até o momento em que a sua alma gêmea, sua tampa da panela, seu ponteiro de relógio, seu limão de caipirinha apareça, majestosamente, bem diante dos seus olhos.

Penso aqui com meus botões (um botão só, o da calça) que se eu tivesse feito tudo certinho, não tivesse cometido tantas escorregadelas homéricas e tomado várias decisões natimortas na vida, talvez – e apenas talvez – aquele momento do esbarrão despretensioso poderia ser, finalmente, a conjunção e o ápice das histórias de amor que sonhamos, tipo quando lemos Romeu e Julieta ou assistimos "Titanic". Ao invés dela me achar um bobo desastrado e que não olha por onde anda, iria me ver como o “príncipe encantado” da sua vida, ainda que sem cavalo branco e com cara de Shrek.

Por essas e outras é que muitos não acreditam que este tipo de amor possa existir, afinal, como saber se estamos agindo corretamente e em conformidade com o cosmos (não é a série do Carl Sagan)? Nunca saberemos. Uma dose de sorte, inúmeras coincidências e casualidades também devem estar presentes na formula indecifrável do amor. Uma fórmula ainda mais secreta que a da Coca-Cola, do chocolate suíço e da broa de milho da padaria aqui do lado. No único exemplo da minha vida, um simples esbarrão poderia ser o início de algo mágico, sobrenatural e surpreendente, ainda que não fosse possível entender como. E é por isso que a vida é tão fascinante. Por isso as formulas secretas serão sempre secretas, ainda que alguns tentem desvendá-las.

Não sou um baluarte da paixão e muito menos o guru do arrebatamento amoroso, mas deixo aqui minha dica (falando sério agora): Siga seus instintos e busque fazer a coisa certa, mesmo sem saber exatamente como. O amor, assim como a Coca, o chocolate e a broa têm seus segredos. Cabe a nós apreciá-lo da melhor maneira possível, ainda que a Coca seja Pepsi, o chocolate seja Arcor e a broa seja de milho transgênico. Nada é perfeito (só aquela moça do encontrão. Ela não tinha defeitos).  Acho que aproveitar da melhor maneira aquilo que nos aparece é uma forma de participarmos um pouco das páginas dos livros de Nicholas Sparks, dos contos de Shakespeare ou de algum frame do clássico “Casablanca”.  A vida real é cruel, dura e quase sempre injusta. O amor não é diferente. Tente fazer o seu melhor. Pode ser que o “amor da sua vida” esteja apenas a um esbarrão de distância. Esteja preparado!  O que você cultivou até aquele momento é o que vai defini-lo como um príncipe encantado ou apenas mais um mané desajeitado.  Eu fui o mané. E você? Agora eu vou parar porque estou quase chorando...  

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